sexta-feira, 16 de abril de 2010

Performances

A performance vai além de uma modalidade artística interdisciplinar caracterizada pelo contexto do uso do corpo explicitamente como modo de expressão e objeto da arte, pois aqui não há uma distância real entre a obra e seu criador. Em geral as performances são feitas seguindo um roteiro que é elaborado previamente, seu objetivo principal é causar uma impressão ou pelo menos levar àqueles que assistem a parar para pensar sobre aquilo que viram, em tempo real ou por registro fotográfico e audiovisual. Quanto a exploração do corpo, existe uma categoria chamada body art que dentro do universo das performances é aquela onde o corpo está em primeiro plano e é o próprio a ser explorado, é através dele que o artista consegue levar seus ideiais ao público, sendo que muitas vezes eles são de cárater extremamente sensoriais e em alguns desses até masoquistas. Muitas pessoas ligam performances aos chamados happenings, mas uma característica que diferencia bastante é que no primeiro há menor participação dos espectadores, mas não há uma regra rígida a respeito disso, sendo que em alguns casos isso torna-se algo comum a ambos. Como um estilo contemporâneo de arte, as performances vêm trazer um novo modo de construção artística em que ela seja voltada para as 'coisas do mundo', ou seja, aquilo com que temos contato diariamente, mas que inseridas em um novo espaço ou trabalhadas de forma inabitual venham a chocar ou prender a nossa atenção, mesmo que seja apenas por um momento. O que muitas vezes parece simplesmente algo sem lógica ou fruto de uma noção distorcida de arte é uma tentativa gritante de buscar um novo olhar para aquilo que é real e que parece ser inexplicável a nós que observamos, chocando-nos e levando a pensar sobre o objetivo do performista. Não é pra ser agradável e sim para ser visto.

Postado por Marlus Alberto

14 comentários:

  1. tomando por base as performances que o Vinícios mostrou na aula, a única conclusão a que posso chegar é de que elas foram inúteis. causaram dor em quem fez, espanto na hora inicial, e só isso. muito foi comentado sobre a menina que se pendurou com ganchos, como bois no açougue. para mim, enquanto público, não teve significado algum; fui para casa e esqueci completamente. só voltei a lembrar agora, lendo o post. mas, para ela, que sofreu a dor, foi só isso: dor. e ao meu ver, dor inútil.

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  2. Algumas perfamances tem como objetivo trazer mensagens, questionamentos e tal, isso é relativo conforme o público que se pretende alcançar. No que remete a performance mostrada na ultima aula não me trouxe mensagem alguma, a não ser a intensão que a garota tinha de chocar as pessoas. Talvez nos sentimos assim ao ver aquilo pelo fato de n sermos o publico que ela tinha a pretensão de alcançar.

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  3. Atitudes como a da menina que se pendurou do gancho causa repulsa por parte do público ou simplesmente, como as meninas acima escreveram, não passam nenhuma mensagem a quem esta assistindo. Ao meu ver, há outras formas mais inteligentes e menos dolorosas de transmitir uma idéia ou mensagem à sociedade

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  4. Concordo com o que foi dito acima. Se há alguma mensagem a ser transmitida através dessas performances, eu não há compreendo. A única reação que tenho é o pavor ao que está sendo mostrado, pois é algo ligado a dor... E é esse pavor que me impede de tentar a ver qualquer outra mensagem que essas pessoas tentam passar através dessas atitudes. Sinceramente acho desnecessário.

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  5. Samantha de Paula18 de abril de 2010 13:15

    A performance sempre utiliza um objeto. Em alguns casos é a música, o teatro, a dança, entre outras. No caso da Body Art, o objeto de experimento é o corpo. Para muitos podem não fazer muito sentido. No entanto, o grande objetivo desse tipo de performance é desmistificar o corpo humano, eliminando a exaltação da beleza, trazendo-o para sua verdadeira função, a de instrumento do homem. Nesse caso, ele é utilizado para a propagação das suas idéias, mesmo que estas só façam sentido ao próprio performista.

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  6. Sugiro ao autor revisar seu texto antes de publicá-lo no blog. Há inúmeros erros, o que compromete a coesão, a coerência e, consequentemente, a interpretação da mensagem que se tenta transmitir.

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  7. É relevante o caráter interdisciplinar da performance, pois envolve na mesma manifestação artística a combinação entre teatro, música, poesia ou vídeo.
    Entretanto, uma performance que gera tanto sofrimento em que a promove, como a apresentada, só me gera espanto.

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  8. Como impressão pessoal da performance assistida em sala, deixo aqui meu espanto inicial. Porém, confesso que o semblante sereno da artista suspensa, especialmente ao final da performance, despertou-me o sentimento da liberdade de seu corpo. Sendo este meio de representação de nossas subjetividades, para mim, a artista transmitiu de forma bastante direta (até demais, haha) que não há limites para significar o corpo, uma vez que quem o carrega é um sujeito pensante (em tempo integral). Eis aí uma motivação para que se aumente ainda mais a série de significados trabalhados nas performances de expressão corporal.

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  9. "Vossa dor é o quebrar da concha que encerra vossa compreensão."
    Khalil Gibran

    Esse pensamento com o qual começo a ilustrar o comentário que faço é para ressaltar que a dor é o outro lado da moeda em que se encontra a compreensão da realidade.

    Somos tão anestesiados a ter uma visão domesticada por modelos que ressaltem a "felicidade", Happy endings midiáticos, que não temos sensibilidade para encarar a dor, mesmo que artística, do outro. Não é à toa que muitos intitulam a nossa sociedade de Prozac.

    O interessante é que admiramos muitos corpos belos e muitos destes (principalmente os femininos) já passaram por vários cortes e costuras estéticas. O corpo não passa de uma roupa em conserto de costureiro.

    Uma maquiada com vários retoques de photoshop também caem bem nesse intento do se construir o belo.

    Mas quando as linhas são expostas e erguidas, vemos algo cheio de adjetivações a ser contemplado. Body art.

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  10. Marielle, concordo com as suas palavras, mas, há ainda outro lado da moeda. Realmente existem performances e expressões que se dizem artísticas, totalmente vazias de significado. Chocar e enojar não garantem o caráter artístico da obra/performance. Um exemplo do que estou falando (e tentando dialogar com seu comentário) é aquela senhora que já passou por diversas cirurgias tentando se parecer com a Nefertite. http://cabecadecuia.com/mundocao/2010-04-07/mae-tira-fillha-de-escola-para-poder-pagar-54o-cirurgia-plastica-67946.html
    É uma situação tão bizarra que me deixa chocado, mas, nem por isso considero uma artista e acho que nem alunos da Facomb vão discordar disso.
    O problema é quando se recusa a mensagem que a obra/performance transmite, simplesmente por chocar. Talvez o choque faça parte da mensagem, inclusive. Vivemos, como vc diz, em uma época anestesiada por um ideal de perfectibilidade ilimitada, na qual qualquer sintoma de emoção é por si só considerado uma doença.

    A questão que eu acho que deva ser enfrentada não é se isso ou aquilo é arte. É uma questão vazia e para qual só pode haver respostas vazias e já está na hora de escolhermos melhor as nossas guerras. A questão, que ao meu ver interessa, é o motivo pelo qual cada um recusa e autoriza performances como artísticas. Pelo que eu li nos comentários, a maioria respondeu com "respostas fáceis". Respeito todas as opiniões, mas, acho que se quisermos avançarmos (em termos intelectuais, artísticos e humanos) devemos começar a transformar nossas opiniões em pensamentos, em reflexões bem argumentadas.
    Desculpem as divagações. O que eu disse também serve para mim, obviamente.

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  11. *Se quisermos avançar*
    desculpem o erro: pressa!

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  12. Claro, melhor enxergar do que ser cego. Mas eu, especialmente, não gosto desse tipo de manifestação artística. Como já disse em outro post, prefiro considerar como arte o que é bonito. E, a maioria dessas performances é de péssimo gosto. Fui em uma em que os atores se cortavam e bebiam sangue. Não consegui sequer refletir sobre nada, tamanho o nojo que fiquei.
    De qualquer forma, não concordo, mas defendo esse direito de manifestação desde que, eu não seja obrigada a ver.

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  13. Andrei S. e Silva26 de abril de 2010 17:33

    Eu acho interessante não só o ato das performances em si, mas a vontade que os performistas tem em fazê-las e a nossa curiosidade em vê-las. Todos achamos abominável certas características e formas como o corpo pode se apresentar, mas ao mesmo tempo temos uma curiosidade latente em observar, experenciar e até mesmo sentir algumas situações as quais os corpos são expostos. Nossos corpos são nosso maior objeto de prazer e repulsa.

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  14. "O que muitas vezes parece simplesmente algo sem lógica ou fruto de uma noção distorcida de arte é uma tentativa gritante de buscar um novo olhar para aquilo que é real e que parece ser inexplicável a nós que observamos, chocando-nos e levando a pensar sobre o objetivo do performista. Não é pra ser agradável e sim para ser visto."

    Creio que essa conclusão resume bem o tema. Se olharmos por essa óticca esse tipo de "arte", percebemos que elas realmente nos fazem refletir sobre alguma coisa.

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