sexta-feira, 21 de maio de 2010

Abuso Sexual Infantil

Anjos do Sol é um filme do diretor gaúcho Rudi Langemann que retrata a exploração sexual infantil, um tema polêmico, mas que não costuma frequentar as salas de cinemas. Baseado em fatos reais, o longa foi exibido no Festival Internacional de Miami , em março de 2006, e ganhou o prêmio do júri popular depois de disputar com 14 filmes.

Boa parte da trama se passa no sertão da Bahia. Logo nas primeiras cenas, Maria (Fernanda Carvalho, em sua estreia, com apenas 10 anos) é vendida a um “intermediário” (Chico Diaz) pelos próprios pais. Posteriormente, este intermediário revende a criança – juntos com outras – a Nazareth (Vera Holtz) especialista em leilões de menores virgens. Geralmente quem participava destes leilões eram políticos, fazendeiros e empresários.

A proposta do filme é colocar em discussão um grave problema social, mas que muitas vezes somos indiferentes. Várias cenas de Anjos do Sol são duras e chocam. As garotas são tratadas como mercadorias e transportadas em caminhões muito pior do que gado – são escondidas na carroceria e sem ventilação. Algumas garotas contraem HIV e outras são brutalmente assassinadas. A inocência das crianças é tirada sem piedade.

18 de maio é O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data escolhida em homenagem a Aracelli Cabrera Sanches, criança de apenas 8 anos que foi raptada, drogada, violentada e morta por jovens de classe média alta, em Vitória (BA), no ano de 1973. A menina foi encontrada com os mamilos e a vagina lacerados a dentadas. Depois do estupro, os jovens jogaram ácido sobre o corpo de Aracelli que ficou desfigurado.

Muitas vezes, nós, que vivemos no conforto de um bom lar, com oportunidade de estudar em uma boa universidade, não valorizamos o que temos e o que é pior, reclamamos. Filmes como Anjos do Sol nos fazem refletir como somos ruins – ou o pelo menos o quanto poderíamos melhorar – enquanto seres humanos, isto é, seres pensantes. Será que pensamos mesmo? Ou será que o problema é justamente este, pensamos demais e não conseguimos nos sensibilizar com as coisas ao nosso redor?

Na última semana, estive no Cevam (Centro de Valorização da Mulher) e encontrei várias crianças vítimas de abuso sexual. E a nossa realidade não é muito diferente da encontrada no nordeste brasileiro – como mostra Anjos do Sol. O problema aqui é tão grave quanto os encontrados nos sertões brasileiros. E com um agravante, a maior parte das crianças que estão no Cevam foram abusadas por pessoas bastante próximas como tios, amigos da família e em um dos casos o próprio padrasto. Os traumas nestas meninas são imensuráveis.

Com certeza, muitos dos que lerão, vão achar algumas das ideias bem radicais. Tudo bem, até podem ser. Mas, sinceramente, já pensou o que se passa na cabeça de uma criança vítima de abuso sexual? Se sim, o que já fez para ajudar alguma ? Se nunca pensou, não se preocupe! Isto não é uma cobrança, é apenas uma reflexão. Afinal, nada posso exigir, pois, sou igual à maioria, ainda não fiz minha parte. No entanto, nunca é tarde para começar, certo? Vamos começar agora, pois se deixarmos para amanhã... Conheço bem esta história!

Por Andrey S.Dutra

10 comentários:

  1. Mais um filme sobre a desgraça humana premiado. Eu não sei se é só pra desencargo de consciência ou se é realmente pra alertar que é um assunto importante.

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  2. concordo com a Susanna. acho curioso o tanto que os filmes brasileiros que mostram nossos problemas sociais são aclamados pelos europeus e estadunidenses como se fosse uma realidade muito distante da deles, quando, de fato, não é. tráfico humano e prostituição infantil existe em todo lugar. e cada nação deveria cuidar dos seus proprios problemas antes de criticar os dos outros.

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  3. Eu honestamente não consigo imaginar como uma criança vítima de abuso sexual consegue seguir com a vida normalmente. Aliás, acho que seguir normalmente é impossível mesmo.
    É uma realidade terrível, mas acho tão difícil pensar em algo em que cada um de nós possa fazer pra mudar isso...

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  4. Sinto vergonha de mim quando entro em contato com essa realidade, minha apatia me incomoda. Sei que não posso fazer muito, mas o pouco que fizer vai contribuir para quem sabe melhorar situações de milhares de crianças. É triste, é dura e cruel, não basta lamentar é preciso agir logo.

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  5. É mesmo uma realidade triste. Mas não vejo muito por onde fazer algo. Divulgar ajuda mas, não muito, as pessoas sequer se sensibilizam de verdade mais..

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  6. Andrei S. e Silva25 de maio de 2010 15:04

    Acho que o simples fato de discutirmos assuntos como esse, já o tornamos de certa forma, uma atitude de mudança da situação. Quanto você tem conhecimento e discute com outras pessoas, já está disseminando na sociedade um tema que aos poucos vai saindo da obscuridade e começando a fazer parte dos problemas que precisamos resolver enquanto cidadãos. Assim a mídia dá mais atenção, assim aparecem políticos com projetos de lei, grupos de ajuda, e o que antes era desconhecido vai se tornando algo que incomoda, e que precisa de uma solução e uma intervenção social.
    Claro que nós sempre podemos fazer mais, e tomara que um dia façamos. Por enquanto, pelo menos estamos mantendo a chama acesa.

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  7. Concordo com o Andrei. O fato desse ter sido mais um dos filmes brasileiros que retratam sérios problemas de nossa sociedade não tira o mérito do mesmo. Não adianta falar em mudar e agir se a grande maioria das pessoas nunca parou para refletir sobre esse problema, e com certeza um filme atinge muita gente e faz com que muita gente começe a observar com mais atenção problemas como o do abuso sexual infantil.

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  8. O pior é que é uma realidade cada vez mais presente!

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  9. Concordo que faze filmes já é algo e que nesses casos qualquer atitude é válida. Só fico descrente porque isso tem sido tão comum que muita gente nem se choca mais.

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  10. A própria mídia ajuda a insentivar a violência contra nossas crianças, fazendo novelas com adolescentes apaixonando-se por pessoas mais velhas. Deveria tratar de ajudae de outeas maneiras, mostrando os abusos não só em famílias de classe nédia alta mas onde o asédio as crianças são frequentes na classe baixa.

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